Publicado em 18 de maio de 2011
Projetos que apoiam o associativismo avançam no Estado
A iniciativa gera cerca de dois milhões de postos de trabalho em mais da metade dos municípios brasileiros
Em meio ao capitalismo e ao consumismo tardio dos países em desenvolvimento, uma nova economia está nascendo da prática do Comércio Justo (ou Fair Trade, em inglês) no Brasil e no mundo. Denominada Economia Solidária, esta experiência é baseada na cooperação, solidariedade, democracia interna, equilíbrio ambiental, geração de oportunidades para homens e mulheres em desvantagem social, preço justo, respeito aos direitos das crianças, divisão de resultados e maior justiça no comércio mundial.
O Comércio Justo ainda é novidade para algumas comunidades do País, apesar de já trabalharem e produzirem em grupos, associações e cooperativas, de acordo com os princípios da Economia Solidária. Segundo levantamento da Secretaria Nacional da Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), existem no Brasil cerca de 23 mil empreendimentos de Comércio Justo e de Economia Solidária que geram mais de dois milhões de postos de trabalho em 51% dos municípios. O setor fatura cerca de R$ 8 bilhões anualmente.
Apoio do Sebrae
No Ceará, são dezenas de experiências, tendo destaque os bancos com tecnologia social, como o Palmas (em Fortaleza), além de feiras agroecológicas, associações de artesãos e outras iniciativas. "O conceito de comércio justo e solidário é recente no País e representa alternativa para que pequenos empreendedores, muitas vezes excluídos do mercado devido à concorrência com as grandes empresas, possam acessar mercados", comenta o gerente de Acesso a Mercados e Serviços Financeiros do Sebrae, Paulo Alvim.
Segundo o Sebrae, as vendas do comércio justo e solidário geraram um valor em torno de 3,4 bilhões de euros em 2010. Os principais mercados internacionais para os pequenos produtores são Reino Unido, Estados Unidos, França e Alemanha. Entre os produtos mais comercializados estão café, arroz, cacau, mel, açúcar, bolas de futebol e roupas de algodão. Apoiando o comércio justo desde 2003, o Sebrae comemorou a Semana Mundial do Comércio Justo, promovendo de 11 a 13, no Rio de Janeiro o III Encontro Internacional de Comércio Justo e Solidário. "O Sebrae identificou nesse conceito uma estratégia para as micro e pequenas empresas acessarem o mercado de forma mais justa, recebendo um pagamento merecido por seus produtos e serviços", diz Alvim.
Experiência global
A primeira iniciativa de Comércio Justo data de 1959, na Europa. No início, o tema estava relacionado ao combate à fome na África e países subdesenvolvidos e tinha abordagem assistencialista. Em 1969, foi inaugurada a primeira loja de Comércio Justo na Holanda. Hoje, 80% do faturamento do setor são oriundos da Europa. Existem mais de três mil lojas de Comércio Justo no continente europeu e mais de 70 mil pontos comerciais com produtos certificados.
Na Holanda, o café justo representa 2,5% do mercado e a banana justa, 5%. Na Suíça, o café justo corresponde a 5% do mercado e a banana justa, a 40%. A Organização Mundial de Comércio Justo (WFTO) conta com mais de 300 organizações integrantes. No Japão, o Comercio Justo cresce atualmente a taxa de 70% ao ano, segundo dados são da União Mundial de Comércio Justo.
Princípios
1 - Criação de oportunidades para pequenos produtores do Hemisfério Sul
2 - Transparência e confiabilidade em toda a cadeia de comercialização
3 - Desenvolvimento de capacidade dos produtores
4 - Pagamento de um preço justo
5 - Igualdade de gênero
6 - Boas condições de trabalho
7 - Não exploração do trabalho infantil
8 - Preservação do meio ambiente
SAMIRA DE CASTRO
REPÓRTER


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